Se você trabalha com tecnologia ou simplesmente usa aplicativos que dependem de inteligência artificial, já deve ter se perguntado: quem responde se um sistema de IA tomar uma decisão errada? O marco legal da IA, que está em discussão no Congresso brasileiro, quer responder a essa e outras perguntas. Na prática, o PL 2338/2023 estabelece regras para quem desenvolve e quem usa IA, com foco em transparência, segurança e responsabilidade. Neste artigo, você vai entender os pontos principais e o que muda para empresas e usuários.
O que é o PL 2338/2023 e por que ele importa?
O PL 2338/2023 é o projeto de lei que pretende regulamentar a inteligência artificial no Brasil. Ele foi apresentado em 2023 e está em tramitação no Senado. O texto define obrigações para empresas que desenvolvem ou usam IA e cria direitos para os usuários. Diferente de uma lei genérica, o projeto traz uma classificação de risco para os sistemas, o que determina o nível de exigência. Por exemplo, um sistema de IA usado para aprovar crédito é considerado de alto risco, enquanto um filtro de spam é de baixo risco. Isso importa porque, quanto maior o risco, mais rígidas são as regras.
Como funciona a classificação de risco na prática?

A classificação de risco é o coração do marco legal. Ela divide os sistemas de IA em quatro níveis: risco excessivo, alto, moderado e baixo. Sistemas de risco excessivo são proibidos, como os que usam técnicas subliminares para manipular pessoas ou exploram vulnerabilidades de grupos como crianças e idosos. Já os de alto risco, como os usados em recrutamento, avaliação de crédito ou diagnóstico médico, precisam passar por avaliação de impacto e cumprir requisitos de transparência e segurança. Na prática, uma empresa que usa IA para triar currículos terá que garantir que o sistema não discrimine candidatos por gênero, raça ou idade, e deverá permitir que um humano revise as decisões.
O que muda para as empresas que usam IA?
Para as empresas, o marco legal significa assumir responsabilidade. Se você usa um sistema de IA para tomar decisões que afetam pessoas, precisará garantir que ele seja auditável e que os usuários possam contestar resultados. Isso envolve, por exemplo, manter registros de como o sistema funciona, fazer testes periódicos para identificar vieses e documentar as decisões automatizadas. Um desafio concreto é a adaptação de sistemas legados, que muitas vezes não foram criados com esses requisitos em mente. Além disso, a lei prevê que a autoridade competente, que ainda será definida, poderá fiscalizar e aplicar sanções em caso de descumprimento. Empresas que já adotam boas práticas de governança de dados terão menos trabalho para se adequar.
Quais são os direitos dos usuários com o marco legal?

Os usuários ganham direitos importantes. Você terá o direito de saber quando está interagindo com uma IA, como em um chatbot, e de pedir explicações sobre decisões automatizadas que afetem seus interesses, como uma negativa de crédito ou de matrícula. Além disso, poderá contestar decisões e solicitar revisão humana. A lei também proíbe práticas de manipulação que explorem vulnerabilidades, como o uso de IA para induzir crianças a comprar produtos ou a compartilhar dados pessoais. Esses direitos são essenciais para evitar que a IA seja usada de forma abusiva.
Qual é o status atual do PL e o que ainda falta?
O PL 2338/2023 está em tramitação no Senado e já passou por comissões, mas ainda não foi votado no plenário. Depois de aprovado no Senado, precisa passar pela Câmara dos Deputados e ser sancionado pelo presidente. O texto pode sofrer alterações ao longo do caminho, o que gera incertezas para empresas e usuários. Apesar disso, especialistas recomendam que as empresas comecem a se preparar, adotando práticas de transparência e documentação desde já. Acompanhar as atualizações do projeto é fundamental para quem atua na área.
Perguntas frequentes sobre o marco legal da IA
O marco legal da IA já está em vigor?

Não, o projeto ainda está em tramitação no Congresso. Ele precisa ser aprovado pelo Senado e pela Câmara, e depois sancionado pelo presidente, para se tornar lei.
Como o marco legal protege meus dados pessoais?
O projeto complementa a LGPD, estabelecendo que sistemas de IA devem respeitar a privacidade e a proteção de dados pessoais. Isso inclui a obrigação de informar como os dados são usados e garantir que não haja discriminação algorítmica.
O que acontece se uma empresa descumprir o marco legal?

As penalidades ainda serão definidas, mas o projeto prevê multas e a obrigação de corrigir o sistema. A autoridade competente será responsável por fiscalizar e aplicar as sanções.
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